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“O Corpo do Toiro” na Carmina Galeria

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Crónica: Poema
Sábado, dia 24 de Julho de 2010
Prova da intensidade de vivências, que a festa de toiros como fenómeno cultural pode despoletar, transcrevemos um Poema de Manuel Alegre com pano de fundo sobre a tauromaquia mas com interpretações mundanas e perfeitamente quotidianas. Como cultura a tauromaquia tem lugar na existência humana por mais rotineira que seja.
Matador
O poeta desdobra a sua capa
está na página em branco a luz e oiro
para lidar o verso que lhe escapa
como o toiro na arena como o toiro.

Um natural. Depois um derechazo
para quebrar do verso o negro impulso
buscando aquela parte do cachaço
onde se enterra a espada até ao pulso.

E pode então cortar rabos e orelhas
agradecer aos tércios: matador
sob as farpas do sol. Torres vermelhas.


Sai o poetas aos ombros: luz e oiro
enquanto um verso jaz de negra cor
como o toiro na arena como o toiro.

Manuel Alegre («Sonetos do Obscuro Quê»)

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