CORRIDA DE TOIROS À PORTUGUESA
21/06/2026
Crónica da corrida por Miguel Ortega
Fotografia – Tertúlia Tauromáquica Terceirense
João Moura Jr. conquista Angra e as Sanjoaninas
As Sanjoaninas regressaram e com elas voltou a magia da Feira Taurina de São João. Angra do Heroísmo vestiu-se de festa e a Monumental Praça de Toiros da Ilha Terceira voltou a apresentar o tão desejado cartaz de esgotado, prova inequívoca da força que a tauromaquia continua a ter junto dos terceirenses. Mais do que um espetáculo, a corrida de toiros continua a ser uma expressão da identidade da ilha, um ponto de encontro entre gerações e uma tradição profundamente enraizada na cultura açoriana.
Antes do início da corrida foi guardado um sentido minuto de silêncio em memória de José Alpoim Pereira de Bruges, antigo presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e figura marcante da tauromaquia açoriana, bem como dos pastores António Vielmino Rocha Cardoso Ventura e António Silveira Diniz. Houve ainda homenagens a Tiago Pamplona, pelos seus 20 anos de alternativa, e ao Grupo de Forcados Amadores de Turlock, que este ano assinala o seu 50.º aniversário, reforçando os laços que unem a Terceira à sua comunidade emigrante.
Em praça estiveram João Moura Jr., João Ribeiro Telles e Tiago Pamplona, perante um curro das ganadarias João Gaspar e Rego Botelho, que proporcionou interesse e emoção ao longo da tarde.
Entre os exemplares apresentados destacaram-se o bravo e nobre “Glorioso”, de João Gaspar, um autêntico toiro de bandeira, e “Fundaplata”, de Rego Botelho, que apesar da escassez de força revelou bravura e qualidade suficientes para marcar positivamente a corrida.
Se “Glorioso” e “Fundaplata” deixaram excelentes apontamentos, também o quinto da tarde merece destaque. O exemplar de Rego Botelho saiu à arena com transmissão e casta, mostrando-se inicialmente pouco claro nas suas investidas. Contudo, à medida que a lide avançou, foi-se entregando mais ao que lhe era pedido, revelando bravura e casta.
A tarde tinha um significado muito especial para Tiago Pamplona. O cavaleiro terceirense comemorava vinte anos de alternativa perante o seu público e viveu momentos de grande emoção. No primeiro da sua ordem encontrou um toiro de comportamento irregular, que dificultou uma atuação mais redonda, mas no segundo mostrou toda a sua classe e maturidade, construindo uma lide sentida e de grande entrega. As sortes sucederam-se com brilho e verdade, recebendo o reconhecimento dos aficionados numa data particularmente simbólica da sua carreira.
João Ribeiro Telles voltou a demonstrar porque continua a ser uma referência do toureio a cavalo português. No primeiro da sua ordem lidou com inteligência, sensibilidade e profundo conhecimento um toiro bravo, mas limitado pela falta de força, ajudando-o sempre e tirando partido das suas melhores condições. Já no segundo enfrentou um exemplar extremamente complicado, perante o qual nunca voltou a cara, construindo uma lide de valentia, verdade e profissionalismo.
Mas o nome da tarde foi, sem dúvida, João Moura Jr. O cavaleiro de Monforte, que mantém uma ligação muito especial com os aficionados terceirenses, foi o triunfador absoluto da corrida. No primeiro toiro destacou-se pela forma magistral como preparou as sortes, levando o oponente muito embebido na rabada do cavalo e cravando ferros de grande nota, especialmente junto à porta dos curros, em terrenos de enorme compromisso. Os ladeios, os remates e a forma de interpretar cada momento da lide arrancaram fortes aplausos das bancadas.
No segundo abriu verdadeiramente o tarro das essências. Com uma lide inspirada e de elevado nível artístico, deixou momentos de grande emoção, onde sobressaíram as mourinas, executadas com verdade e enorme toreria. A praça rendeu-se por completo ao cavaleiro, premiando-o com ovações de pé e reconhecendo uma atuação que ficará entre os momentos altos desta edição da Feira Taurina.
Nas pegas, os Grupos de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e de Turlock honraram a tradição da forcadagem. Carlos Vieira despediu-se das arenas com uma pega carregada de simbolismo e emoção, enquanto o cabo Bernardo Belerique rubricou uma pega de excelente execução técnica. Os momentos mais difíceis surgiram nos derradeiros toiros da tarde, onde João Vieira e Aron Teixeira enfrentaram adversários de enorme exigência. A raça, a coragem e a entreajuda dos grupos acabaram por resolver as dificuldades, numa demonstração da essência da arte de pegar.
Dirigiu a corrida Ricardo Costa, sendo médico veterinário Vielmino Ventura.
Foi, em suma, uma grande tarde de toiros, vivida perante uma praça completamente cheia e rendida à emoção. Houve bons toiros, cavaleiros inspirados, forcados valentes e um público entregue à festa. Ingredientes que explicam por que razão a Feira Taurina de São João continua a ocupar um lugar de destaque no panorama taurino nacional e, sobretudo, no coração das gentes da Terceira.
GALERIA FOTOGRÁFICA

































